quarta-feira, 17 de março de 2010

Dá um frio, depois passa.



Eu e ele no verão de 1984



Portas-retrato emolduram a saudade

Você me segurando nos braços,

camisa do Bota em pleno Fla-Flu

Fotografia é assim, minha filha,

dá um frio,

depois passa


Existem dias de um frio intenso

Nublado de lágrimas.

Você se foi em novembro.

No entanto, agosto não passa


Dias de dor nas juntas

Dores adjuntas, anexas, justapostas

e remédios que nem remediam mais


Dias de amargo na boca

O gosto pela vida passou

O doce desandou


Agora é apertar os relógios

e esperar o tempo passar.

Quem sabe um dia a gente possa se encontrar?


Para lembrar:

"Essa Ferida, meu bem

às vezes não sara nunca

às vezes sara amanhã"

Carlos Drummond


2 comentários:

  1. é autobiográfico?
    dá um calor que com a gente segue
    beijo
    reisla

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  2. Estou feliz que vc está escrevendo. Bem feliz mesmo. Consigo ver tua alma grande, e linda. Bjs enormes...

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