sexta-feira, 19 de março de 2010

Sangria desatada





Passa o dia se debulhando em lágrimas até que alguma coisa mude, até cansar, até dar sono. Muda nada. Engole seco as angústias ou vira um copo d’água num gole só e pronto, passou. Passa nada. Meu Deus, que vontade é essa de abandonar tudo e sair correndo? Em busca de quê? Em direção a quem? Será que nada basta? Sossega, que são três da tarde e ainda há uma vida pela frente. Mentira, o que há pela frente é próxima respiração e muitas aspirações. Na TV, tudo segue feliz. É todo mundo tão bonito e maquiado. Willian Bonner anunciando tragédias com aquela voz de galã, lindo... Fala de novo. Tudo ilusão. E você acha que essa vida é o quê?

Sabe o que você precisa, minha filha? De um batom cor de carmim.



Arrematando: "Não quero nem faca, nem queijo. Quero a fome" Adélia Prado



4 comentários:

  1. estava atrasada. li os últimos escritos. passei pelo encantamento, pela saudade, até chegar aqui, nessa inquietude que não acaba nunca.

    a saudade também não acaba. vem em goles, litros. barris prestes a transbordar.

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  2. vou colocar o carmim e sair por aí.
    se a noite for boa,amanhã tem dramin.

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  3. Vem
    se risca de baton vermelho e mostra pra campina em negro que a noite é clara como o verde


    Reisla

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  4. Uma boca que só cala com carmim. Espalha a sangria, com a cor que ela exala, até o azul voltar outra vez. Estou aqui, avante e elegante, com gigabytes de saudades.

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