quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pra sempre



Algumas coisas não morrem. Não morre aquele caderno que você deixou com os escritos de uma vida. As letras que você me ensinou não morrem jamais, nem os discos de Chico, nem os sambas de Cartola, nem os poemas de Augusto e Drummond. O seu cheiro ficou pela casa, nas roupas, no frasco do perfume, pelos cantos das paredes e nos corredores da memória. Ficou o seu gesto no corpo de alguém que passa e nunca te conheceu. Ficou a tua impaciência na minha cabeça confusa. Ficou o teu olhar perdido no meu a procurar. Ficou a tua loucura na minha imprudência. Tuas inquietudes, eu herdei uma a uma. Ficou a tua boemia nos bares onde você bebia. Ficou a hipocondria, a cardiopatia e a melancolia na estante da casa, entre os comprimidos que nada servem para as dores que você deixou.


Um conselho:

"(...) E de tudo fica um pouco.
Oh, abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória"

Drummond


3 comentários:

  1. mininaaaaaaaa, me explique em off, please?! hehe
    beijo ty

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  2. "Uma saudade tão má de uma pessoa tão boa".
    nunca esqueço isso que você escreveu.

    você consegue fazer poesia da inquietude. é a nara da nova bossa.

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  3. Palavras à altura de uma saudade tão grande de um bem ainda maior. Coisa demais pra esse par de ombrinhos mignons. Divida conosco.

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