segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sem volta



A cabeça sempre andou distante mesmo e o coração naquela base de querer guardar o mundo em mim. Agora só falta o corpo cruzar os mares nunca dantes navegados. E essa sensação de que os horizontes não serão mais os mesmos? E que a viagem é sem volta e sem fim? Eu faço as malas, me desfazendo das coisas inúteis e deixando tudo o que pesa. Levo memórias, deixo saudades, trago lembranças. Se der, envio uns postais. É sempre assim e também pode ser diferente. Mas uma coisa não muda: passo a noite em claro só pensando no que pode ser.


No pé do ouvido:

̋Poeta, palhaço, pirata, corisco, errante judeu
Cantando
Dormindo na estrada, no nada, no nada
E esse mundo é todo meu
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
Cantando
Por baixo da terra
Cantando
Na boca do povo
Cantando˝

Chico Buarque


2 comentários:

  1. Vi uma frase num blog de uma amiga e acho que tem um pouco a ver com isso também. A frase é a seguinte: "Onde quer que haja divórcio entre o conhecimento e a ação, deixa de existir espaço para a liberdade". Fiquei pensando na distância que separa seu blog e o dela e na proximadade dos textos. Sim, a frase é de Hannah Arendt.

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  2. não fui a mesma depois desse filme.

    a cabeça sempre segue viagem antes do corpo, antes mesmo de comprar passagem, já saímos voando por aí.

    eu já roendo as unhas para saber as novidades, as ruas, os encontros e desencontros desse teu passeio. ansiosa como se fosse o último capítulo da novela. que bom que só está começando.

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