sábado, 8 de maio de 2010

Acertando os ponteiros



Canoa Quebrada (CE) - Onda Latina



Não há espaço para reflexões. Você está é precisando pensar menos e viver mais. Sigamos, que os ponteiros são mais incansáveis do que as nossas pernas. O tempo passa numa velocidade estonteante e a felicidade então, essa é uma brisa... Tão intensa quanto passageira e nem todos conseguem senti-la, principalmente os que estão muito preocupados com o sentido das coisas. É meio dia, você está na flor da idade e sozinha, não menos que na última madrugada, quando estava rodeada de gente. Escute, você sempre estará só. Terá encontros pela vida, alguns durarão poucos segundos, outros, décadas e haverá os que completarão bodas, mas se prepare para os desencontros seguidos de lágrimas, risos, rezas, apertos e alívios. Talvez, compreender esse pequeno detalhe seja a chave para tudo. Mas você não entende que a transitoriedade é a tônica do nosso tempo. Quer ser livre se prendendo às paixões. Ah! Como você inveja os apaixonados em seus mundinhos cor-de-rosa, ouvindo suas bossas e cantarolando que é “impossível ser feliz sozinho”. Concentre-se no que é possível e vá dormir, sonhando comigo e achando que amanhã será outro dia.



Canção de ninar:


Pra que sofrer com despedida?
Se só vai quem chegou
E quem vem vai partir
Você sofre, se lamenta, depois vai dormir.
Cartão Postal – Rita Lee.

3 comentários:

  1. Um poeta por quem tenho grande apreço escreveu o seguinte:

    [...] "Multidão, solidão: termos iguais e permutáveis para o poeta ativo e fecundo. Quem não sabe povoar sua solidão, tampouco sabe estar só em meio a uma massa atarefada". [...]

    Determinado trecho do texto me lembrou isso. Este poema se chama "as massas" e está no livro Pequenos Poemas em Prosa, mais conhecido como "spleen paris" de Charles Baudelaire.

    Mas é interessante perceber o que alimenta a poesia (ou a vida): para uns pode ser a fugacidade. Já para outros a angústia parece ser bem fértil.

    De toda forma, às vezes se faz necessário saber "povoar a solidão".

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  2. "Gozar da multidão é uma arte; e só pode fazer, à custa do gênero humano, uma farta refeição de vitalidade, aquele em quem uma fada insuflou, no berço, o gosto do disfarce e da máscara, o horror ao domicílio e a paixão da viagem".

    Começa assim, né? Gosto demais desse poema e das angústias de Baudelaire

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  3. Danço eu, dança você...
    Pronto! Já não estamos sós.

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