segunda-feira, 3 de maio de 2010

Como você anda?



Distrito de Joaquim Egídio - SP


Eu andei 2.800 km até aqui. Isso não significa que eu já cheguei aonde eu quero. Mas vamos lá, hoje eu ando frequentando um curso, pintando umas aquarelas, escrevendo umas bobagens e dizendo outras. Aliás, eu ando com um nó na garganta e uma paixão retumbante no peito.
Eu também ando pedalando por aí. Às vezes me falta o freio. Às vezes é disso o que eu preciso. Às vezes me falta ar. Eu respiro fundo, não adianta. Pior é quando falta estômago. Essa é a ânsia de estar vivo, girando nessa roda viva, sem poder descer, sem poder parar.
O fato é que aos 24 anos eu perdi um grande amor, desde então eu ando procurando um caminho, uma rota, uma direção e, sobretudo, um sentido para isso tudo.
Nessas horas eu queria tanto uma religião...


... Mas eu prefiro a poesia:

"Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo".

Mário Quintana

2 comentários:

  1. Não seria o amor um tipo de religião da qual estamos sempre em busca também? Imagine alguém expulso da religião que ele tanto gostava e sensação de vazio...
    Brindemos então a poesia e a "milenar inquietação do mundo".

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  2. Você está caminhando. Isso é tudo. A fé perdida a gente encontra no caminho, deixando a saudade como rastro.

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