terça-feira, 22 de junho de 2010

Da janela




Na bagagem nada pesa menos que o medo. Na balança nada pesa mais que o passado. Na alma, basta o peso de uma saudade. Já na pele são dois pesos, duas medidas. A regra é clara, mas a vida não é. E nos dividimos, nos endividamos, nos subtraímos, e multiplicamos tudo por dez, por cem, por mil. É tempo de exagero. O outono já se foi. A primavera levou as flores, deixando os mosquitos a zumbir coisas que a gente já sabe, só não quer ouvir. São duas horas da tarde e o sol ainda não chegou. A moça do tempo ou mentiu ou errou. É por isso que eu prefiro a paisagem do lado de cá, onde o dia resplandece, mesmo que chova canivete, em pleno junho eu faço um carnaval. Marchinhas à parte. Sossega coração. É tempo de inverno. Não tarda será o de verão.


O tempo de Paulinho (o da Viola):
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído

5 comentários:

  1. Ainda bem que o seu sorriso nao pesa. Talvez por isso, um texto sobre peso se torne tao leve como todos os outros.
    Pois que venha o verao nos despir e tirar pelo menos o peso da roupa. Ja o da alma, ele vai aonde for, do lado dai ou do lado de ca, nos intervalos das emocoes...

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  2. Eu fico numa dilema tremendo, neste tempo por aqui; uma dúvida que eu não sei se é a mesma que você tem: é tempo de plantar ou de colher? Fazer as duas coisas de uma só vez dá mais trabalho. Petrolito pode ajudá-la em alguma coisa: pata-de-obra, somando forças. Estamos no inverno; quem sabe um vinho daqui a uns dias!

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  3. Tyty, a gente não pode perder a leveza, né? Mesmo que nem sempre seja verdade, mesmo que a gente não consiga se sentir leve.

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  4. É por isso que não acredito na moça do tempo. E prefiro a beleza do dia chuvoso...

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