quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sem freio

.

Café com pão cronometrado.
Eu pensava que ia ser diferente, mas não é.
Diferente são as lembranças e as caronas no Santana vermelho com aquele homem ao volante.
Tão distinto. Até ontem ele se vestia assim, de mocassim, ornando com a camisa pólo, bermuda e a clássica capanga debaixo do braço, que quando ficou démodé, deu lugar a uma discreta carteira.
E a rotina era movimentada.
Chegava da feira e saía de novo. Voltava da rua e partia de novo.
Até ontem ele fazia isso, mas naquele dia foi diferente.
Chegou de vermelho, imponente e buzinando. Todo mundo na rua olhando e eu reinando, entrando no carro indiferente.
Íamos inaugurar o possante, percorrer as ruas, a orla, os bares, as bancas de revista, balas e quadrinhos.
Velocidade, vento no rosto, gargalhadas a mil.
Depois me devolvia em casa e partia para a rotina de idas e vindas.
E a vida era esperar aquele ser encantado surgir e me levar para ver o tempo passar da janela daquele carro.
E a vida continua sendo de espera.
(...)
Só não se sabe de quê.
Eu pensava que ia ser diferente, mas não é.
E agora, José?
.

3 comentários:

  1. E agora é viver. Esperando e vivendo. Adoro vir aqui, Ty, tão delicado. Beijocas.

    ResponderExcluir
  2. Esperando, querendo e vivendo... Querida Lila, eu adoro quando você vem.

    ResponderExcluir
  3. É preciso estar atento ao agora. Esperar é perigoso, pois podemos correr o risco de perder a vida que passa a nossa margem. Mas, parece que a memória tem sido local comum em nossos textos.

    ResponderExcluir