segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu não sou daqui.

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Ciclovia, Cidade Universitária - Barão Geraldo.


Cadê aquela saudade retumbante no peito, eu pergunto, cadê?
Parecia que ia morrer se não pegasse um avião, morre nada.
E o frio, que antes doía na espinha, hoje faz afago na carne. O nome disso é costume.
Eu já conheço essas esquinas e elas já conhecem os pneus da minha bicicleta. Subindo e descendo ladeiras. Pra quê tanta volta, meu deus?
O bom mesmo é se perder, mas eu preciso me encontrar.
Eu não sei do lado daí, quer dizer, eu sei e é lindo, mas do lado de cá, eu vejo tardes ensolaradas com uma luz que transpassa as árvores e faz desenhos no chão com pétalas colorindo o asfalto de todas as cores.
Uma verdadeira passarela.
Eu vejo o charme dos estudantes baronenses desfilando, pedalando e levitando por aí, tomando vinho no gargalo na porta do supermercado.
Eles e elas. Barões e Baronesas. Sobem e descem a ciclovia em direção à Unicamp portando livros, cigarros e sonhos na mochila, e sabe lá quando essa bagagem vai deixar de pesar.
Eu ando conhecendo um povo que canta como eu e fala a minha língua, apesar dos chiados e dos “erres” retroflexos destoando ao meu sotaque carregado de xaxado.
E a gente se comunica em música e ninguém desafina.
Eu sei que tudo isso é bom, mas o meu coração é do mar e tem sede de brisa.

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2 comentários:

  1. Quanto a minha bagagem, sei que vai levar um bom tempo, pois são muitos os livros e sonhos. E também gosto de me comunicar em música...

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  2. Já imagino as mãozinhas narrando as belezas das ladeiras de Barão Geraldo... Venha matar a sede de mar, a sede de brisa, até sentir a sede de campo outra vez.

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