terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dele para ela

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Já fomos mais belos, menos torpes, menos ácidos, bem mais doces, já sofremos menos por amor, já fomos mais capazes de perdoar, mais amigos, mais honestos. Já fomos mais em tudo. Éramos jovens e achávamos, inocentes, que as rugas não chegariam nunca. Era o mar a nos bronzear a pele, a nos diluir por completo, nos esvaziando e nos preenchendo, apequenando esses semideuses feitos de razão, paixão, ossos, sangue e carne. Felizes nunca fomos por completo, sempre faltou algo que não se sabia classificar, medir, ordenar ou pronunciar. Só se sabia sentir e seguíamos ignorantes do que sentíamos, comprando mais e mais, perguntando sem resposta, procurando, esperando, querendo e fazendo amor.
E eu te pergunto, se viver é isso, o que foi que te faltou?
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4 comentários:

  1. Não sei, Quel, talvez as mães saibam, mas acho que Fernando Sabino tem razão no seu conselho de fazer da queda, um passo de dança, da procura um encontro. E nos achamos nos textos, nos perdemos por aí e nos completamos assim.

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  2. Acho que as mães não sabem não, coitadas, só carregam o estigma de que sabem. Ninguém sabe e, no entanto, acho que é mais divertido não saber sempre, para que os momentos de clareza sejam super prazerosos.
    ;)
    Lia

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  3. Eu sei o que me faltou: fôlego! Será que sempre vai faltar algo?

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