sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Que poeira leve

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Escher


Quando foi mesmo que eu adquiri esses medos? Eu não lembro.

Alguma coisa se acumulou em mim feito poeira no canto da parede. Tão inofensiva, cultivada a base da preguiça de varrer. Finas partículas que se espalham pela casa e convivem com o ar. Respiramos e colocamos para dentro dos pulmões. Quando percebemos, sacudimos as mãos, o corpo, mas ela não sai.

Nem no espirro ela sai.

Viramos poeira.

Eu tenho mais medo de sentir medo do que dos meus próprios medos.

O problema é que o passado não passou em mim. Eu tô cansada desses velhos medos.

Eu quero um medo novo, sem gosto de infância.

Um medo que não me peça colo de pai nem de mãe.


Para aliviar:

"Na vida, quem perde o telhado em troca recebe as estrelas"

Tom Zé

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2 comentários:

  1. Medo desafia a dor? Esse sim!
    Caso contrário, o medo é uma merda! Às favas com os velhos medos. :)

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  2. Concordo com a Marina, acho que o medo pode ter alguma utilidade, a merda toda é a nossa covardia diante dele.

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