quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para você

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Eu que tenho tanto a te dizer, quando te vejo, engulo tudo, palavra por palavra num gole só e às vezes finjo que nem te conheço. Eu que ensaio há dias um discurso, esqueço tudo e me perco dentro de um poço de medo e orgulho.

Já pedi tanto para o acaso nos juntar, numa esquina, num posto de gasolina, numa mesa de bar, aqui, acolá, algures, mas não adianta, parece que estás do outro lado do mundo, ou um segundo antes de eu chegar. Também perdi a conta de quantas vezes deixei a porta aberta para que você entrasse sem bater, nem avisar.

Parece que só te encontro quando acho que te pedi. Será que o seu tempo é sempre o passado? Aí fica complicado, porque você muda de nome e vira saudade e saudade dói, e eu não tenho nervos de aço.

Sigo te procurando pelas rodas de amigos, entre os entes queridos ou em meio a uma multidão de desconhecidos, mesmo sabendo que podes estar a um palmo do nariz. Por fim, peço encarecidamente para que da próxima vez que o destino nos unir, não diga nada, se você vai, quanto tempo ficará, ou quando voltará. Peço somente que não te deixe voar tão longe, Dona Felicidade, sua andorinha errante.

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5 comentários:

  1. Eita que vontade que dá de botar numa gaiola para ela nunca mais fugir, hein? Por um minuto achava que falava da paixão e agora volto a achar que sim... O ir e vir da andorinha... talvez seja essa a graça!

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  2. Vamos abrir a gaiola... das loucas.

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  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, depois dessa eu quero ver ele dizer isso de novo

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