quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A flor e o espinho

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Se fosse só saudade eu folheava os álbuns de fotografia até gastar os dedos, até secar os olhos e dormir de cansaço. Se fosse só tristeza, eu ligava a vitrola, deixava as divas e os musos gritando para as paredes uma alegria em dó maior. Se fosse só confusão, eu saía por aí descendo de banguela as ladeiras da cidade, deixando a cabeça voar junto com os cabelos, contra o vento, contra tudo, contra todos. Se fosse culpa de alguém, mas não é.
Não é e eu não sei o que é.
Não importa.
É fim de ano, ninguém pensa em nada. Faltam 10 minutos pro mundo se acabar. Todos entram na euforia do verão, depois vem o carnaval e eu só me lembro daquele sambinha “tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”.
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2 comentários:

  1. e a gente vai fumando que
    também sem um cigarro
    ninguém segura esse rojão.

    vem que passa o teu sofrer, helen. vamos de chico, antes que o amor acabe. to chegando!

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  2. Nelson do Cavaquinho: a flor e o espinho. Que sintonia, "to achando que vc é minha nega"!
    belo texto, te vejo sentindo.

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