quarta-feira, 30 de março de 2011

Veja você

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Daqui eu vejo tudo se desmoronar, a começar por esse corpo cansado de fugir do tempo.

As certezas todas estão virando pó e o amor respira com dificuldade por entre os escombros.

O cotidiano se agarra as últimas vigas que também cairão junto com teto sobre a nossa cabeça.

Talvez tudo pegue fogo ou a água suba pelos joelhos.

O 193 chamou, chamou e ninguém atendeu.

Não tem ninguém do outro lado da linha? Do outro lado do mundo? Do outro lado da rua?

O outono chegou e o sol dos trópicos continua uma brasa, como se nada tivesse acontecendo.

E como se nada tivesse acontecendo, eu fecho a porta e saio para comprar o pão e o pó de café.

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