terça-feira, 26 de abril de 2011

Banquete dos signos

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Eu sinto saudades do tempo em que várias pessoas se sentavam à mesa e de longe se ouvia o tilintar dos talheres, o vapor das vozes e o rugir dos dentes. Não tinha espaço para quem quisesse, mas não faltava comida para quem chegasse.
Ninguém diz que o tempo passa.

Ou fomos nós que passamos do ponto?
Um dia, num domingo qualquer a gente olha pra trás e vê que a mesa ficou grande, mas o coração anda faminto para encher de gente esses tantos lugares.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

É isso

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Viro a esquina e entro de bicicleta na rua da infância.
Nem parece que o tempo passou.
A luz da manhã está estonteante e lá está ele, na calçada do lado direito, um rapaz bonito, de cabelos encaracolados, realçados pelo sol. Ao seu lado um cachorrinho preto, orelhudo, varrendo o cheiro do mundo com o seu focinho.
Eu olho e acho lindo.
Eu paro, o rapaz me dá bom dia e beija o meu rosto.
Eu sigo sabendo que o amor é isso.
E assim, como quem dobra a esquina, nós começamos mais um dia do resto das nossas vidas.

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