sexta-feira, 17 de junho de 2011

Alguma coisa acontece no meu coração

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É a luz que transpassa as árvores criando uma atmosfera colorida no ar. É a juventude atravessando essas cores e exalando o perfume da sensualidade. São as matizes de um tempo que passou, mas não morreu.

É o vento gelado das esquinas e o calor que emana de dentro das pessoas. É o cafezinho carinhoso da Dirce e a elegância melancólica do Cláudio. É ver a casa impregnada de mim sendo cenário de outras histórias com outros personagens. E o enredo é sempre o mesmo, gente que morre, que nasce, que ama, trabalha, gasta, se desentende e quer.

É pensar: e se eu estivesse ficado mais um pouco? Como seria?

Viajar e ver que tudo continua no mesmo lugar acontecendo de outras maneiras, girando, mudando, envelhecendo. O mundo se embrulha dentro de mim e eu fico tonta com as voltas que ele dá.

Quando a aeronave decola, eu sempre penso: e se cair?

O pensamento se desintegra como nuvem no avião e eu sigo a fantástica aventura de atravessar mais um dia.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

O tempo que é

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O meu travesseiro está inchado dos sonhos que não saíram de lá e eu podia ter insônia, passar as noites sem dormir porque fracassei. Podia ter me frustrado e depois culpado os outros por isso, e distribuir estupidez como quem diz bom dia. O meu peito está estufado de uma saudade que não tem fim nem nunca terá e eu podia ter sufocado de tristeza ou desistido de amar.

Todos os dias eu peço que o tempo me traga, além de rugas e lembranças, uma dose de maturidade para saber perder um ônibus, um amor, uma fortuna, uma mãe e mesmo assim continuar querendo um pouco mais.

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