terça-feira, 27 de setembro de 2011

borbulha, mas não ferve

..

A maré está baixa.

Não se engane marinheiro, ela continua lá.

Embaixo da pele,

na membrana dos ossos,

na maresia dos poros,

correndo nas águas calmas desse mar.

Encubada,

crônica,

ansiando o momento da agudeza,

a loucura só espera a hora da ressaca chegar.

Na proporção da euforia vem o tédio.

Quanto mais alto é o grito,

maior o vácuo que o sucede.

Vai e vem.

Em eco.

Em ondas.

Sem âncora

Pro meu barco ancorar.

Quem não entende o balanço das marés não sabe viver, marinheiro.

..

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Os outros

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Eu olho a mulher do ônibus com aquela calça colada, aquele fone de ouvido, aquele cabelo alisado, aqueles peitos fartos.

Eu olho e de vez em quando desvio o olhar.

Ela é só um rosto.

Ela tem caminhos na cara e um cheiro doce.

Ela olha pra mim e de vez em quando desvia o olhar.

Ela olha pra mim e só vê um rosto.

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