terça-feira, 6 de setembro de 2011

Os outros

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Eu olho a mulher do ônibus com aquela calça colada, aquele fone de ouvido, aquele cabelo alisado, aqueles peitos fartos.

Eu olho e de vez em quando desvio o olhar.

Ela é só um rosto.

Ela tem caminhos na cara e um cheiro doce.

Ela olha pra mim e de vez em quando desvia o olhar.

Ela olha pra mim e só vê um rosto.

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3 comentários:

  1. Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle.

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  2. [...] "Multidão,solidão: termos iguais e permutáveis para o poeta ativo e fecundo. Quem não sabe povoar sua solidão, tampouco sabe estar só em meio a uma massa atarefada".[...]

    (Baudelaire - O spleen de Paris).

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