sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Todo mundo vai

.
.

Rivane Neuenschwander, "Um dia como outro qualquer", 2008

Eles correm porque todo mundo corre

e a pressa virou o tempo da pretensão.

O relógio,

pernas inquietas que tremulam sem parar

A mulher do carro ao lado

poderia ser só a mulher do carro ao lado

se a loucura não fosse universal

O sinal abre, o sinal fecha

A regra é não se olhar

Porque o constrangimento é universal

O sinal abre

Seguimos anônimas e certas

para o mesmo e inevitável lugar.

.

2 comentários:

  1. Tyara, da primeira vez que vim aqui e li este seu poema/texto não deixei comentário - embora o quisesse - por conta do tempo. Estava muito apressado com outras obrigações para parar um minuto e dizer algo (coisa que sempre faço nos blogs d@s amig@s). Depois percebi que é justamente sobre isso que você fala, sobre o tempo. Resolvi então deixar o carro parado no "sinal aberto das minhas obrigações" e não passar anônimo por aqui. Me permiti olhar de lado também.
    Como dizia Silvio Brito: "pare o mundo que eu quero descer".

    ps.: É inevitável não lembrar também do Paulinho da Viola com "Sinal Fechado".

    ResponderExcluir
  2. a grande graça é que mesmo que a verdade esteja parada nos sinais, a gente continua sendo um coração grande e aberto que sabe ver beleza. tem barato maior que ver a beleza? esse poema me lembrou elis regina cantando como nossos pais.

    ResponderExcluir