quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Submarina

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Adriana Varejão


Quem mergulha fundo demais pode não voltar.

Eu conheço um monte dessas histórias de profundidades inimagináveis.

Pedir açúcar na vizinha também não é raso nem fácil.

Eu tenho medo quando alguém toca a campainha e invade o meu canto sem avisar - pra não dizer eu tenho pânico.

Respiro fundo, tomo fôlego. A xícara na mão e a vontade de sair correndo até arrancar o chaboque do pé.

A mãe diz: "é frescura dessa menina esquisita"

E assim fui aprendendo que esquisitice é ter medo de gente.

Mas de mar eu não tenho

É por isso que eu mergulho fundo.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

(...)

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Jozé,


Nunca mais nos vimos nem ouvimos a voz um do outro. Por onde você anda, eu não sei. Muito menos seu paradeiro. Com licença ao calendário, mas não existe maneira mais precisa de medir o tempo do que sentir que a dor da saudade já passou. Se o mundo desse voltas como um relógio nós estaríamos a exatos 4 dias de nos perder por aí.

Se viver é se despedir no tempo, eu fico pensando quanto tempo a gente desperdiça com outra coisa que não seja o amor.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lá fora está chovendo

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Gotas caem incessantemente na nossa cabeça, os carros pifaram junto com todos os eletrodomésticos e um exército de formigas corre afoito ninguém sabe pra onde. Ninguém sabe porquê.

Eu queria que alguém me explicasse a pressa, se um dia todos os ponteiros vão parar.

O mundo virou e daí?

E daí? Se a gente vai se topar naquela esquina e descobrir que pra viver basta respirar e, quando a nossa respiração se encontrar, inalaremos o mesmo e delicioso ar que estufa o peito, faz o sangue ferver nas veias e sopra ao pé do ouvido que respirar é muito pouco. É necessário perder o fôlego, o medo e o freio.

É preciso se sentir vivo pra morrer em paz.

O caos não será mais da nossa conta.

O planeta de cabeça pra baixo e nós a girar, que maravilha.

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