domingo, 18 de dezembro de 2011

Vermelho balão

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O amor tem olhos grandes, nariz de palhaço e orelha de abano. Ele sofre nas tardes de domingo. Rói as unhas, depois pinta de vermelho. Dá com uma mão e tira com a outra. O amor não fala inglês, mesmo sendo uma exigência moderna.

Viram-no num 1,99 na rua da república.

O amor em trinta, sessenta e noventa sem juros e sem entrada, com a primeira só para o carnaval. O amor não é cool. Não é Cult. Não se acha bonito. Não gosta de atender telefone. Ele não assistiu àquele filme, não sabe jogar futebol nem nunca ganhou um troféu. É recalcado. Psicótico, neurótico. Todo errado.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Conversa mole

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Dora come com as mãos

rói as unhas

e lambe os dedos.

Carlos come com os olhos.

Dora tem olho grande.

Carlos tem fastio.

Ofélia morreu.

E esqueceram de anotar a receita pra essa vida.

Tarde demais

O bucho cheio de paixão

e ainda dizem que amor não enche barriga.

Assim ninguém se satisfaz.

E Maria no banho,

ainda no banho, Maria?

Assim a coisa desanda.

Tanto faz se a fome é uma coisa assim, universal.

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