segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Azulejaria portuguesa

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Adriana Varejão


Eles dizem para seguir em frente, mas não dão o mapa nem sequer um empurrão.

Pensar nisso, mas não se afogar nesse vão. José tinha razão, o bom é soltar os freios e os arreios até sentir medo de se esbagaçar no chão.


A linguagem não dá conta, mas a pele dá, embora se rasgue toda.

Na boca da ladeira o mar se esparrama na amplidão. Não canso de contemplá-lo.

Dizer que é bonito é o mesmo que dizer que é azul.

É preciso se lançar, mesmo que a carne sofra, mesmo que amanhã se acabe.
Ela é fraca. Ele, imensidão. Ela, ressaca. Ele na linha do horizonte. Ela, sei lá. Diz aí.
Tinha vinho, tinha pão. Pra quê mais?

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