quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Gênesis

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Não ligo se o espelho diz que é brega. Se a cintura já não se liberta do pudor. De uma hora pra outra me contamino por inteiro com esse sentimento. Não ligo se foi Adão, Eva, Caetano ou Wando quem inventou. Boto música romântica, canto junto, choro tomando café e espero o teu olhar como quem fica no pé do portão. Por horas a fio eu teço a tua chegada às minhas retinas ansiosas. Qualquer pedaço de ilusão satisfaz esse astigmático coração.
Nessas tardes, penso que teria uns cinco filhos com nomes parecidos e ao meio dia, em voz alta, chamaria todos a ocuparem os seus lugares à mesa. Feijão, arroz e café com pão dia após dia e nessa sucessão desenfreada faria da minha vida a continuação de muitas. Nós perpetuando essa espécie de encanto que até hoje ninguém sabe quando foi que começou.
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2 comentários:

  1. Tenho uma amiga que diz que toda moderninha, no fundo "do fundo", sonha em entrar na igreja, de véu e grinalda, ao som da Ave Maria, cantada por uma lírica aí que eu esqueci o nome. Exageros à parte, às vezes me pego seguindo uma linhagem do amor, eu só não sei se ela veio de Maria Bonita, Amélia ou da Cleópatra. Belo texto, kitsch katch ketechen.

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  2. dizer que me identifico é pouco. eu entro nessas linhas, me esparramo nelas, deito e rolo. o bom é que à medida que a idade chega, essas coisas ficam tão óbvias de aceitar. viram tão parte da gente. tão.

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