quarta-feira, 2 de maio de 2012

Plongée


De uma hora pra outra o tempo para em frente à janela de casa. Há árvores de copas imóveis, suspensas, paralisadas no ar. E fez-se o vácuo, silencioso e abafado como o prenúncio da chuva. Mas a brisa corre mansa em algum lugar perto/longe daqui.
Na vizinha há vozes de crianças e cheiro de pão assado. Nessa casa já se ouve disso e já se houve também.

Da varanda, o horizonte é ainda mais bonito e distante e impossível.

Solto bolhas pra ver se chegam lá. Elas não aguentam tanta pressão. A gravidade é implacável, principalmente a da situação. Quem tiver paraquedas que pule. Quem tiver medo de altura que finque. Quem tiver esperança que procure. Quem tiver coragem que mude. Quem tiver só que corra pra imensidão.  

3 comentários:

  1. "Eu espero um acontecimento. Só que quando acontece é festa no outro apartamento", já cantarolava uma outra Marina. Façamos a nossa própria festa Cat, em meio ao silêncio ensurdecedor da calma e do tédio.

    ResponderExcluir
  2. Eu consegui ver o movimento da câmera, mas preferia mesmo encontrar a protagonista sorrindo, bem linda. Mulher.

    ResponderExcluir