quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Em agosto venta


Tenho medo de morrer cedo.
Tenho medo de durar muito,
ficar velha, andar lento, pedir tudo.
Ver o povo ir embora e ficar por último.  
Tenho visto gente dobrar a esquina e nunca mais voltar,
gente feita de vento,
gente-balão,
que bate os sapatos,
joga os sacos
e vai pro céu.
Vira estrela?
Nuvem?
Poeira?
Disco-voador?
Passarinho?
Diz, mãe, o que é que a gente vira?
Faz silêncio, sopra um vento.
É o pai, entrando em casa,
respondendo.